Os fenómenos meteorológicos extremos que afetaram Portugal recentemente são um sinal claro de uma realidade que já não é pontual nem longínqua. Tempestades e inundações no inverno, secas prolongadas, incêndios de larga escala e escassez de água no verão, ondas de calor cada vez mais intensas. A variabilidade climática está a aumentar e o sector agrícola é um dos mais expostos a esta nova volatilidade.
Este episódio destaca um ponto central da nossa estratégia ESG: a resiliência não é um conceito abstrato, é real e tornou-se é um imperativo de negócio.
A agricultura depende do clima. Quando há perdas agrícolas, há impacto no rendimento dos produtores, na estabilidade das cadeias de abastecimento e, em última instância, na segurança alimentar. Até ao momento apurou-se que as recentes tempestades tenham provocado prejuízos superiores a 360 milhões de euros na agricultura portuguesa (artigo). Este número não representa apenas danos imediatos. Representa vulnerabilidade económica acumulada.
O World Economic Forum, no relatório The Cost of Inaction, é claro quanto à dimensão do risco. Desde 2000, eventos climáticos extremos já causaram mais de 3,6 biliões de dólares em danos globais. Se não houver adaptação e mitigação adequadas, o PIB mundial poderá reduzir-se entre 16% e 22% até 2100 devido aos impactos climáticos. Para as empresas, isto traduz-se num risco financeiro material e crescente.
Num grupo como o Agris, cuja actividade está profundamente ligada ao sector agrícola, a resiliência tem várias dimensões estratégicas:
- Infraestruturas e operações mais robustas
Investir preventivamente em estruturas, drenagem, proteção contra inundações e planos de continuidade reduz interrupções e custos futuros. - Gestão de risco e cobertura adequada
Seguros contra tempestades e inundações são essenciais, mas não substituem a necessidade de adaptação estrutural. A paragem de actividade tem custos indiretos que raramente são totalmente compensados. - Fortalecimento da rede de agricultores clientes
Um agricultor mais resiliente é um cliente mais estável. Apoiar a adaptação às alterações climáticas reduz risco sistémico em toda a cadeia de valor. - Resiliência como motor de inovação e oportunidade
Investir em conhecimento técnico, promover boas práticas de gestão da água e do solo ou criar uma academia Agris orientada para a adaptação climática pode posicionar o Grupo como parceiro estratégico. Ao mesmo tempo, soluções que aumentem a eficiência hídrica ou protejam culturas deixam de ser apenas produtos e passam a integrar uma proposta de valor orientada para o futuro.
Resiliência não é apenas reagir depois do dano. É antecipar riscos materiais, investir antes da perda e transformar vulnerabilidade em vantagem competitiva.
Num sector tão exposto como a agricultura, investir na adaptação não é apenas proteger o presente. É garantir a sustentabilidade económica do Grupo, reforçar a confiança dos clientes e contribuir para a segurança alimentar do país. Quando integrada na estratégia ESG, a resiliência deixa de ser custo e passa a ser gestão de risco (e com retorno!).
Sofia Vinagre – ESG Business Unit Manager Xplor

